" A cada dia que vivo, mais me convenço de que o disperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade." (Carlos Drummond de Andrade)




terça-feira, 5 de abril de 2011

Ontem .

 Parada. Cansada. Pensativa.
 Quem não fica assim, pelo menos alguns instantes de um dia, não sabe o que é viver.
 Contemplando uma sala vazia, peguei-me a idealizar um futuro distante e, só então, descobri que meus sonhos são metas razoáveis; e que de sonhos não tinham nada.
 Como é possível viver assim? Pensando em demasia, guiando meus atos pela razão e privando-me daquilo que me faça fujir da realidade? Para ser honesta não sei. Sei apenas que meus devaneios isolúveis são pretextos infundáveis para uma vida repleta de reflexões e mísera de contravenções.
 Não forme uma conclusão sobre mim após ler essa breve síntese - pois nem eu creio que possa chegar a um ponto final. Jamais pressuponha que uma identidade, seja ela qual for, possa ser compactada ou mesmo ser compartilhada sem sofrer alterações relevantes - principalmente quando estas vêm do próprio autor.
 O que posso dissernir hoje, com clareza, é que meu intrigante humor oscilante cria novas consepções para elementos já existentes. Minhas humildes opiniões sobre a minha existência e suas derivações são tão mutavéis quanto minhas escolhas diárias.
 Abidicar de rompantes heróicos não é ser fraco, talvez seja um modo de munir-se de coragem para verdadeiras bravuras.
 Nunca irei saber se vivo da maneira correta. Afinal, partindo princípio de que não há manual de conduta prepétua sobre a vida terrena, posso dizer que minhas variações são irrefutávelmente singulares e que não há maneira mais graciosa de citar que não sei nada sobre mim do que afirmando que não sei como viver..