Com o passar do dia e as oscilações do tempo, as pessoas mais suscetíveis a mudanças bruscas de comportamento (as bipolares,as nervosas,as estressadas, as sensíveis e as que estão entre essas todas - eu ) tendem a ficar diferentes - como diria minha amiga - do nada!
Na realidade não foi por acaso que encontrei um texto escrito por Chico Buarque de Holanda e pude compreender o porque estava tão angustiada, na verdade estava perdida de mim mesma, vagando no meu próprio inconsciente e reflentido sobre minha própria trajetória, meus ideais e minhas conquistas, minhas perdas e minhas tristezas. Impensadamente, após ler, parei de pensar em tudo e fiquei só a contemplar o nada - e ao mesmo tempo o tudo. Foi tão bom poder entender tudo que acontece e tentar planejar o futuro.. Foi tão bom não entender nada e não pensar no depois.. Foi tão bom não ter certeza de nada, nem dos próprios pensamentos.. Foi tão bom saber que não saber tudo - ou pelo menos de boa parte - é essencial.. Foi tão bom tentar compreender o nada e ao mesmo tempo não ter tentado nada.. Ah, foi tão bom se sentir só por algum tempo - não que isso fosse tão bom assim se perdurasse por mais de alguns instantes.
Eis o texto que por ser tão curto e da mesma forma tão abrangente me encantou..
Solidão
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudades.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

